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Sensores da Informação Urbana

julho 25th, 2011  |  Publicado em Cidades Inteligentes

Uma cidade inteligente (CI) é aquela que utiliza tecnologia da informação e da comunicação para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e, ao mesmo tempo, atrair oportunidades de negócios.
Nesse cenário, instituições privadas e setor público vêm desenvolvendo soluções inovadoras para os centros urbanos. Isso aconteceu recentemente no Rio de Janeiro, que inaugurou, em 31 de dezembro de 2010, o Centro de Operações. Trata-se de uma parceria da prefeitura com algumas empresas, entre elas a Cisco Brasil e a IBM, uma das companhias mais atuantes na difusão do conceito de CI.

Localizado na Cidade Nova, o Centro de Operações capta, num único local, informações e imagens produzidas em tempo real por diversos órgãos municipais e concessionárias de serviços públicos. O sistema foi desenhado com foco na previsão de enchentes e emergências, mas deve também gerenciar fatos como acidentes de trânsito, o réveillon na praia de Copacabana e a saída de torcedores do Maracanã. A meta é ajudar governantes e administradores a tomarem decisões em situações críticas.

“O objetivo é integrar os órgãos públicos que, de maneira geral, atuam de forma isolada. É possível ter uma visão mais holística da situação e tomar decisões em conjunto. Se houver inundação em uma rua, por exemplo, isso vai afetar o trânsito, sobrecarregar linhas de ônibus, aumentar riscos de assalto por causa do engarrafamento. É importante estar tudo integrado”, afirma Cezar Taurion, gerente de novas tecnologias aplicadas da IBM Brasil, que, no caso do Centro de Operações, ofereceu tecnologia de hardware e software e está ajudando a redesenhar processos de resolução de problemas.

Carlos Roberto Osório, secretário municipal de Conservação e Serviços da prefeitura, faz planos ambiciosos para o projeto. “Nosso objetivo é tornar o Rio de Janeiro a melhor cidade para viver e trabalhar no hemisfério sul. Então temos que ter serviços condizentes com essa pretensão. Nosso Centro de Operações é o mais moderno da América Latina e vai se tornar o mais moderno do mundo”, declarou Osório durante o evento Global Green Business, realizado de 1° a 3 de junho na capital fluminense.

Contra desastres

O Rio de Janeiro foi a primeira metrópole brasileira a contratar os serviços da IBM, que agora está realizando testes para instalar um sistema de previsão meteorológica para evitar deslizamentos. O aparelho vai utilizar algoritmos para analisar dados dos radares meteorológicos e apontar com antecedência locais onde pode haver desabamentos. “Cada cidade começa sua jornada para ser inteligente de pontos diferentes. No Rio, um dos assuntos críticos é a questão dos deslizamentos, então este está sendo o pontapé inicial”, explica Taurion.

O diretor de Estratégia e Operações da IBM, Sergio Borger, ressalta que é preciso incorporar os sistemas que já existem nas metrópoles e renová-los, sem necessidade de começar do zero. “O conceito de cidade inteligente inclui o processo de racionalização efetiva da infraestrutura e de recursos existentes”, explica.

Em conjunto

Rodrigo Abreu, presidente da Cisco Brasil, que também desenvolveu tecnologia para o Centro de Operações, chama a atenção para a importância da parceria entre as esferas pública e privada, especialmente diante da proximidade de grandes eventos esportivos. “Essa parceria é um grande instrumento para o sucesso desses acontecimentos. Com a união dos setores, será possível dar um passo para avançar no desenvolvimento de infraestrutura das cidades”, acredita Abreu. Na opinião dele, também é fundamental que a tecnologia seja encarada como elemento primordial. “A tecnologia deve ser um quarto elemento de investimento”, finaliza.

A Siemens é outra empresa que está conectada com a ideia de CI e escolheu o Rio como a primeira cidade da América Latina para basear um account manager, diretor responsável por fazer a ponte entre as demandas do gestor público e o portfólio de soluções da companhia. Inclusive, no início de maio, a empresa criou uma nova área de negócios, chamada Infraestrutura e Cidades, que pretende atender demandas que vão surgir no Brasil por conta da Copa do Mundo e das Olimpíadas.

“Nós nos baseamos na questão da urbanização e das mudanças climáticas. Por isso, reformulamos nosso portfólio para oferecer soluções sustentáveis que ajudem a reduzir as emissões de gás carbônico na atmosfera”, afirma Victor Batista, diretor de sustentabilidade da Siemens. Em 2010, a empresa teve um faturamento mundial de 76 bilhões de euros, sendo que o portfólio ambiental representou um lucro de 28 bilhões, cerca de 35% do total.

Entre as soluções que a Siemens fornece está uma alternativa para os gargalos em aeroportos: os terminais modulares, já utilizados na Copa do Mundo da África do Sul. “São terminais construídos com bastante rapidez, sem atrapalhar o funcionamento do aeroporto e que podem ser utilizados em caráter permanente”, explica o diretor de sustentabilidade da Siemens, em sintonia com soluções inteligentes.

Três perguntas // Sergio Borger

Diretor de Estratégia e Operações da IBM

Como definir uma cidade inteligente?

Tecnologia, disponibilidade de informação e gestão são o centro do conceito de CIs. As informações obtidas deverão ser utilizadas na gestão de serviços capazes de prover ao cidadão recursos para se viver confortavelmente e com qualidade de vida.

Como a IBM vê a parceria entre os setores público e privado para o desenvolvimento das cidades?

Acreditamos que parcerias estratégicas entre setores público e privado são uma parte muito importante para a implementação de processos de inovação de forma contínua em nossas cidades.

Como a tecnologia pode contribuir para as CIs?

Quanto mais instrumentamos nossas cidades e utilizamos as informações geradas por estes sensores de maneira inteligente, mais somos capazes de dimensionar, prever e atuar sobre os eventos que ocorrem no dia a dia.

texto Maíra Amorim

fotos Raphael Lima/Centro de Operações Rio


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